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quarta-feira, 27 de maio de 2020

Jornal A Nossa Voz! A IMPRENSA, AS SOCIEDADES E A HISTÓRIA - Por Itan Cruz

Itan Cruz - Doutorando pela UFBA
O alemão Johannes Gensfleisch zur Laden zum Gutenberg, ou simplesmente Gutenberg, é largamente conhecido como o “pai da imprensa”, por ter sido ele o inventor de um mecanismo de prensa capaz de produzir e reproduzir obras em papel por volta de 1450. Desde então, livros, folhetos, documentos e toda a sorte de publicações atravessaram o tempo oferecendo informações, distorcidas e fidedignas. Os periódicos, de uma forma geral e os jornais, de maneira específica, cumprem um papel fundamental na elaboração de narrativas sobre as novidades do momento, trazendo elementos significativos sobre uma determinada sociedade e sua cultura. 

Quem lesse a primeira página do jornal A Idade D’Ouro do Brazil, um dos primeiros a serem impressos na Bahia, do dia 14 de maio de 1814, se depararia com notícias sobre a realeza britânica e variados acontecimentos que movimentavam a vida social do outro lado do Atlântico, na Europa. Aqui no Brasil, apesar das altas taxas de analfabetismo de então, todos acabavam sabendo das notícias por meio de leituras altas feitas no meio da rua, nas tavernas, nas câmaras e casarões onde se realizavam reuniões musicais. Com o passar do tempo, com a elevação das taxas de alfabetização, as transformações tecnológicas e o advento da internet, o papel cedeu parte do seu lugar à tela, seja do celular, do tablete ou do computador, modificando a relação das pessoas com as informações publicadas. 

A partir deste lastro de informações constantemente transformadas, quer pelo suporte nos quais transitam (papel ou tela), quer pela composição das publicações (com fotos, ilustrações, áudios e vídeos), os jornais sacudiram e sacodem sociedades inteiras. Notícias de revoluções, como a francesa, que acabou com a monarquia no país e declarou a República em 1789, ou a haitiana, na qual escravos mataram seus senhores e declararam independência da França em 1804. Os jornais também apascentaram os ânimos em momentos decisivos, como algumas das notícias sobre a independência do Brasil que apelava para a unidade dos vários brasileiros de norte ao sul do país em 1822, ou noticiando o fim de guerras que dizimaram incontáveis vidas ao longo da História, à exemplo da Segunda Guerra Mundial (1939-1945). 

Em tempos de aceleração de acontecimentos e informações, acessar notícias passou a integrar os rituais do dia-a-dia contemporâneo. Crises políticas e econômicas, desastres naturais e catástrofes humanas. Neste sentido, o papel da imprensa é fundamental, apurando e aproximando o leitor do fato. 

Destas transformações pelas quais passou a imprensa, o Jornal a nossa voz já foi papel e, nos últimos anos, ampliou sua capacidade de alcance por meio da internet, dedicando-se às questões que envolvem o município de Barrocas. Barroquenses de todas as partes do país, ou mesmo, do mundo, utilizam o Nossa Voz como fonte de informação sobre sua terra natal, seus entes queridos e outros aspectos que possam, de alguma forma, atualizá-los e matar um pouco das saudades. O jornal cumpre um papel fundamental no exercício da cidadania e das relações interpessoais sobre uma cidadezinha onde muitos se conhecem e onde as notícias estreitam ainda mais seus laços. 

Quem recorrer às publicações do Jornal a nossa voz, vai poder compreender melhor como se organiza, como se transforma, como se movimenta a sociedade barroquense. Seja em seus aspectos, políticos, econômicos, culturais e sociais, cada texto corrobora para uma interpretação sobre quem somos e como somos. 

Estes veículos de informações, dos quais o Jornal a nossa voz faz parte, são janelas para a compreensão de como funcionam as sociedades, seus hábitos, suas movimentações, suas crenças, enfim, suas maneiras de ser e estar no mundo. São de suma importância para revelar quem somos e como vivemos, informando, nos agitando ou nos apascentando, seja no papel impresso, na tela do celular, do tablete ou do computador. 


Por Itan Cruz
Bacharel interdisciplinar em humanidades - UFBA;
Bacharel e licenciado em história pela UFBA;
Mestre pela Universidade Federal Fluminense e Doutorando pela UFBA

A IMPORTÂNCIA SOCIAL DO JORNAL A NOSSA VOZ NO MUNICÍPIO DE BARROCAS - Por Luis Cláudio

Por Luis Cláudio Motta MascarenhasGraduado em Letras
Desde os primórdios, a comunicação surgiu da necessidade do homem para passar informação uns aos outros, afim de conceber como essas informações, serão essenciais para o fazer histórico de cada um. Assim, a democratização da sociedades é concebida a partir da democratização das informações, do conhecimento, das mídias, da formulação e debate que nos conduzem ao processo de mudança, e é aí que a comunicação se constrói-se.

Partindo dessa premissa, não se sabe ao certo sobre a origem do jornalismo e qual foi o primeiro jornal do mundo, porém alguns historiadores atribuem ao lendário Imperador Romano Júlio César esta invenção que nos levariam a olhar pela ótica do outro, sem romantizar os fatos de quem conta a história e quem a faz. Nesse bojo,a ciência da comunicação é um elo na construção do senso crítico e na perpetuação do homem enquanto agente transformador. 

Daí a importância de um veículo de comunicação que atenda os ensejos de um todo e não de uma parcela privilegiada, mas é necessário que a ciência da comunicação mesmo dotada de ideologia política, não tenha lado e jamais defenda partidarismo, visto que, foi concebida para denunciar e cobrar ações que favoreçam a sociedade civil constituída, proporcionando o surgimento de uma boa retórica e da polifonia de vozes. Assim, o discurso se faz. 

Tudo o que aqui foi dito, leva-me atestar a linguagem (escrita ou falada), como expressão do pensamento, e por mais que tenhamos uma carta magna que protege a nossa liberdade de expressão, e ter consciência que por mais que não concordemos com a linha ideológica de alguém, a única coisa a fazer é respeitar. Isso só funciona na teoria, mas na prática nem tanto, visto que, surgem homens com síndrome de Nero, impõe suas sanções, tentam delimitar o campo do saber e das ideias, por acreditatem que os meios de comunicação são perigosos para sua jornada política, os veem como inimigos e nessa perspectiva, surgem as ditaduras. Assim, destaca-se que o texto jornalístico tem como fundamento a ciência e os fatos, afim de impedir a manipulação da história, que por sinal é uma das ferramentas da ditadura. 

Ao nascer, a ditadura tende a enraizar sua forma abrupta de governar, destacando o ditador, com seus seguidores que não veem a um palmo do nariz, só governam para uma parcela, permitindo que a ambiguidade entre amor e ódio seja perpetuada no meio ao qual vivemos. Escrevendo esse trecho, lembrei-me do Luis XV, que foi amado por uns e odiados por outro, e destacar, que o Rei da França citado por mim, não foi um ditador, mas teve sua imagem arranhada pelo seu trato político, quando o isolado na elite social. Assim, vivemos uma espécie de déjà-vu. 

Escrever sobre a importância da comunicação em pleno século XXI é fundamental, e apesar disso o que fica notório que a democratização da informação não significa capacidade de compreender e fazer associações históricas, para fundamentar suas opiniões, o que vemos é uma proliferação de simples opiniões e nesse contexto é essencial o texto jornalístico como fonte segura de informação, ou seja, o que se destaca a fala da tia do WhatsApp a do cientista é argumentação, afinal, fazer do plataforma um meio de informação é um desserviço. Assim, o que me deixa entristecido,é que as pessoas ainda não estão prontas para viver a sua própria vida, mas evidencia a do outro e assim pergunto, qual seria a necessidade? Assim, se nós usássemos a informação para o nosso bem e se não nos preocupássemos com a vida do outro, o mundo seria diferente, mas quando assim atuamos nesse jogo, fazendo uma pUlítica e trocamos certos conteúdos, estamos a conceber comunicação. Que coisa mais louca! 

Nessa perspectiva eu pergunto: e se alguém colocasse uma mordaça em todos, o que faríamos? Ficávamos inertes ao tempo ou gritaríamos por liberdade? No ambiente democrático temos que ter liberdade de expressão por mais que os discursos sejam diferentes e não uma só forma de comunicação com editorial único. No cenário que nos é oferecido, temos alguém que argumenta a favor de um todo e uma outra que se deixa usar, e que apresentam dados totalmente díspares. 

O Jornalismo não aponta ou condena, ele mostra fatos, no fazer jornalístico trabalha-se com verdade que atrelada a linguagem editorial envolvida com imparcialidade, destaca a importância do fazer. A importância de um jornal local se fundamenta na construção de que o mesmo se utiliza não só de uma única voz, mas de várias vozes que se identifica, que vibra e que sabe que o seu desejo será atendido e nesse contexto a dialética se faz. 

Assim, a ciência da comunicação não se trata de um desvio de personalidade, mas cada palavra, frase e parágrafo que se escreve, é uma crônica cotidiana que se mostra. Argumentar todo mundo sabe, mas quando se argumenta com fatos verdadeiros, não há Império de cartas que sustente, os ditadores se tremem, a NOSSA VOZ jamais se calará e se esse discurso for direcionado ao povo, não há déspota que resista.

Por Luis Cláudio Motta Mascarenhas
Graduado em Letras
Pós-graduado em Estudos Linguísticos, Medotologia do Ensino de Língua Portuguesa e Literatura Brasileira
Pós-graduado Marketing Digital.

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Jornal A Nossa Voz! Os cinco dias que marcaram a nossa história. Por Victor Santos

Victor Santos e Santos, graduando em
Comunicação Social -
Habilitação em Rádio e Tv (UNEB).
Na quarta-feira, 20 de maio de 2020, às 10h40 pela primeira vez ao longo dos 15 anos da fundação, o site do Jornal a Nossa Voz foi retirado do ar. A notícia circulou entre as redes, e então a dúvida pairou no ar: qual motivo levou um jornal que desde 05 de fevereiro de 2005 exerce o papel da comunicação em um município do território do Sisal, estar 'fora do ar'?

Ao tempo da difícil decisão tomada pela direção, o nosso sentimento nos bastidores da Redação era de tristeza, entender que por um tempo indeterminado a rotina estaria comprometida, nem sequer poderíamos repercutir as matérias trabalhadas no dia anterior, as que estavam pautadas e os quadros de sucesso que destacam as personalidades da cidade. 

Ao meio-dia, no horário do programa 'A minha, a sua a nossa voz', o silêncio predominava nos microfones da Rádio Web. Era o sinal que este meio também foi tirado do ar. A sexta-feira foi mais um dia incomum para a equipe. O tempo passava e se aproximava das 19h00, por mensagem dezenas de filhos da terra, que trabalham em outros estados enviavam áudio, abraços para familiares e amigos e as boas lembranças da terrinha, material que iria ao ar na edição do Café Quente, com Rubenilson Nogueira, José de Oliveira e Márcio Lacraia.  

No sábado pela manhã, como de costume, era dia de postar o movimento da feira livre. Na redação estávamos com o rascunho sobre a repercussão da cobrança de jovens da Fazenda Boi Preto, que insistiam em exigir a melhoria da estrada, aquilo era a pauta para que o poder público tomasse conhecimento e agisse para solucionar o problema.

A luta contra o covid-19 em Barrocas recebeu uma ambulância zero km, o veículo atenderá exclusivamente aos pacientes; pensamos: vamos transformar a informação em notícia, a população precisa receber detalhes do equipamento que poderá ajudar a salvar vidas. No entanto, publicar esta medida positiva ficou apenas no rascunho, afinal, estávamos 'fora do ar'. 

As centenas de vozes, a minha, a sua, a nossa, nem mesmo 'fora do ar', foi calada. Cada gesto de reconhecimento por ligação, mensagem ou áudio, reforçou o lema tão bem construído: "o Barroquense se expressa aqui!" Este episódio estará marcado na história e na página do JANV, que retorna maior, mais dedicado ao dever que nos foi dado: dar voz a população barroquense. 
Por Victor Santos e Santos 
Graduando em Comunicação Social - Habilitação em Rádio e Tv (UNEB).