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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Barrocas: Paulo de Julinha relembra derrota nas urnas e atribui resultado a articulações após divergências políticas

Paulo de Julinha durante entrevista com Rubenilson Nogueira
Suplente de vereador pelo Avante com 404 votos na última eleição municipal de Barrocas, Paulo de Julinha relembrou, durante entrevista ao quadro Frente a Frente, da Rádio A Nossa Voz na sexta-feira (4), os acontecimentos que, na avaliação dele, contribuíram para que não conseguisse retornar à Câmara Municipal. Ex-vereador e atualmente integrante do grupo político do prefeito Almir de Maciel, Paulo afirmou que começou a perceber dificuldades para sua continuidade na política ainda durante o mandato, depois de divergências envolvendo decisões políticas do então grupo liderado pelo ex-prefeito José Jailson.

Um dos episódios citados por Paulo foi a eleição para a presidência da Câmara. Segundo ele, sua posição contrariou interesses dentro do grupo. “Não fiz algo que alguém queria. E acabei, depois, sofrendo as consequências, mas é o jogo político”, declarou. O ex-vereador também relembrou divergências posteriores, entre elas sua posição contrária à rejeição de contas de Almir, que haviam sido aprovadas com ressalvas pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). “Por falta também de concordar com algo que o ex-prefeito queria, e eu não fui a favor”, afirmou.

Paulo disse que, a partir daquele período, começou a perceber mudanças entre pessoas que historicamente faziam parte de sua base política. De acordo com ele, lideranças que haviam trabalhado por sua eleição passaram a ser incentivadas a disputar vagas na Câmara. “Pessoas que foram liderança forte, que me apoiou, (...) aí de repente eu vi sair candidato”, relatou. Segundo Paulo, ao procurar algumas delas, ouviu como justificativa que havia interesse do então prefeito nas candidaturas. “Eu já sabia que ali era uma articulação. Já foi articulado. Então, ali eu comecei a ver o negócio estreitar”, disse.

O suplente afirmou que essa movimentação passou a ser percebida também durante a campanha, quando eleitores anteriormente ligados ao seu grupo começaram a declarar voto em outros candidatos. Mesmo afirmando que pesquisas internas chegaram a colocá-lo disputando as primeiras posições entre os vereadores, Paulo contou que percebeu ainda antes da votação que sua eleição seria difícil. “Eu comecei a perceber. E aí eu disse: ‘Olha, a eleição é difícil. A eleição é difícil’. Eu falava para alguns amigos”, recordou.

No dia da apuração, Paulo acompanhou a contagem dos votos em casa, cercado por amigos e apoiadores. Segundo ele, quando faltavam cerca de 10% dos votos para serem contabilizados, o grupo percebeu que a eleição já não seria possível. “Colegas meus, amigas que estavam ali, começaram a chorar. E eu que fui consolar esses eleitores, essas lideranças. Eu disse: ‘Olha, gente, não precisa chorar. A gente já sabia que isso ia acontecer. O problema é que nós não baixou a cabeça, nós brigou, nós lutou até o último segundo’”, contou.

Apesar das críticas ao processo político que antecedeu sua derrota, Paulo afirmou que não se arrepende das posições que tomou durante o mandato. “Perdi a eleição de cabeça erguida, não me arrependo do que fiz”, declarou. Ao mesmo tempo, reconheceu que hoje agiria de maneira diferente em algumas situações. “Nós temos que amadurecer. É aquele ditado: é vivendo e aprendendo”, afirmou.

Paulo de Julinha, que teve participação importante no grupo que levou José Jailson à Prefeitura de Barrocas e posteriormente rompeu politicamente com o ex-prefeito, atualmente integra o grupo do prefeito Almir de Maciel e voltou a atuar profissionalmente na área da limpeza pública. Questionado sobre o futuro, deixou claro que a derrota não encerrou definitivamente sua trajetória eleitoral: “Pretendo sair candidato. Disputo a eleição”, afirmou, referindo-se às eleições municipais de 2028.

@ Nossa Voz - Da Redação

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