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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Após sequência de ataques a ovelhas em Barrocas, criador apresenta cão italiano como alternativa para proteger rebanhos

Silvio Queiroz em entrevista na Rádio A Nossa Voz - (Imagem do cão ilustrativa) 
A sequência de ataques de cães a rebanhos de ovinos na região do Cedro, em Barrocas, reacendeu o debate sobre formas de proteger os animais e reduzir os prejuízos enfrentados pelos criadores. Diante desse cenário, o agricultor e criador de ovinos Silvio Queiroz, morador da comunidade do Morrinho, na divisa entre Barrocas e Teofilândia, participou nesta sexta-feira (24) do quadro Frente a Frente, no programa Nossa Voz, da Rádio Nossa Voz, onde compartilhou sua experiência com a utilização do cão da raça italiana Pastor Maremano como guardião do rebanho.

O convite surgiu após Silvio comentar, no grupo de WhatsApp 'Ovelhas Vivas', sobre os resultados obtidos com o animal, justamente no período em que cinco ataques a ovelhas foram registrados em cerca de 15 dias na região do Cedro. Durante a entrevista, ele contou que assumiu a criação de ovinos após a morte do pai, por volta de 2022, e, desde então, passou a estudar formas de aprimorar a atividade. Segundo ele, os ataques de cães levaram várias pequenos produtores a desistiram se criar, mas ele decidiu persistir. “Eu não vou parar, vou buscar uma solução”, afirmou.

Na busca por alternativas, Silvio pesquisou experiências de outros criadores e conheceu o trabalho realizado com o Pastor Maremano, raça tradicionalmente utilizada na proteção de rebanhos. Ele relatou que um dos exemplos que mais o marcou foi o de Adilson, morador do Alecrim em Teofilândia, apontado por ele como um dos maiores criadores da região. Segundo Silvio, o amigo chegou a manter um rebanho de aproximadamente 1.200 ovelhas, mas acabou desistindo da atividade em razão dos prejuízos provocados pelos ataques de cães.

Imagem ilustrativa
Convencido de que precisava tentar uma nova estratégia, Silvio adquiriu um filhote de Pastor Maremano por cerca de R$ 1.000, com um vereador de Teofilândia. Hoje, com apenas três meses de idade, o cão já acompanha diariamente um rebanho de aproximadamente 60 ovelhas. De acordo com o criador, o animal sai com o rebanho para o pasto pela manhã, permanece junto às ovelhas durante todo o dia e retorna com elas ao curral no fim da tarde. Ele explica que o sucesso do trabalho depende do manejo correto desde os primeiros dias de vida. “Nada de almofadazinha, botar no colo, passar a mão, fazer carinho. Deixa ele lá, ele tem que entender que faz parte do rebanho, ele se torna uma ovelha”, explicou.

Silvio destacou que a função do Pastor Maremano não é atacar outros animais, mas impedir sua aproximação. Segundo ele, o porte físico, o latido forte e a postura de vigilância costumam ser suficientes para afastar cães e outros predadores antes mesmo de qualquer confronto. “Ele não entra em confronto. Pois cachorro não morde outro cachorro, não mata. Ele dá um aviso. Os outros cachorros voltam e não enfrentam ele, até mesmo pelo tamanho dele”, relatou. O criador acrescenta que o cão já dorme junto às ovelhas, bebe água no mesmo tanque e passou a fazer parte da rotina do rebanho, comportamento que considera fundamental para que o animal exerça sua função de guardião.

Embora ressalte que sua experiência ainda seja recente, Silvio afirma que, desde a chegada do filhote, não voltou a registrar ataques em sua propriedade. Para ele, o investimento é compensado pela preservação do rebanho e pode representar uma alternativa para outros produtores que enfrentam o mesmo problema na região. A entrevista ampliou o debate sobre medidas capazes de reduzir as perdas causadas por ataques de cães, tema que voltou a ganhar destaque após os recentes casos registrados na zona rural de Barrocas.

@ Nossa Voz - Por Rubenilson Nogueira

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