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sexta-feira, 31 de julho de 2026

Produção de beiju reúne três gerações e mantém viva tradição em casa de farinha de quase 50 anos no Toco Preto

Casa de Farinha da família Gaspar mantém tradição no Toco Preto - Fotos Iasmin Mota
Após mostrar a produção artesanal de farinha em uma tradicional casa de farinha do povoado de Toco Preto, na zona rural de Barrocas, o JNV traz mais uma etapa dessa tradição que atravessa gerações: a fabricação dos beijus. O trabalho reuniu mulheres da comunidade e da família Gaspar, mantendo um costume preservado há quase meio século na propriedade atualmente cuidada por dona Anisia.

Segundo Iasmin da Mota Carvalho, de 15 anos, uma das participantes da atividade, 11 mulheres trabalharam na produção dos beijus. Cada uma preparou, em média, cerca de 50 unidades, quantidade que variou de acordo com a goma obtida durante o processamento da mandioca. Nesta etapa foram produzidos três tipos de beiju: o beiju de massa, o beiju de goma e o beiju de açúcar, alimentos tradicionais da culinária sertaneja preparados diretamente na casa de farinha.

Produção dos beijus reuniu mulheres de três gerações
Ao comentar a importância da preservação desse costume, Iasmin destacou o valor cultural da atividade. “Acho muito interessante, pois vai passando de geração em geração. Hoje em dia é muito difícil achar casa de farinha tradicional como essa”, afirmou. Ela também descreveu o momento vivido pela comunidade: “Hoje foi o dia de fazer os beijus na casa da farinha da dona Anísia. Os beijus são feitos pelas mulheres da família, que participaram da raspagem da mandioca durante esses dias.”

Um dos aspectos que mais chamou a atenção foi o encontro de diferentes gerações em torno da mesma tradição. Aos 90 anos, dona Anísia participou da produção ao lado da sobrinha Iasmin e de outras mulheres da comunidade, demonstrando que os conhecimentos sobre o preparo dos beijus continuam sendo transmitidos entre familiares e moradores.

Três tipos de beiju foram produzidos; o beiju de massa, o beiju de goma e o beiju de açúcar
Fundada pela família Gaspar há cerca de 50 anos, a casa de farinha do Toco Preto permanece como um símbolo da cultura rural de Barrocas. Em um período em que muitas estruturas semelhantes deixaram de funcionar, o espaço segue preservando técnicas tradicionais, fortalecendo os laços comunitários e garantindo que costumes ligados ao cultivo da mandioca e à produção artesanal de alimentos continuem vivos para as novas gerações.

@ Nossa Voz - Por Rubenilson Nogueira
Colaborou Iasmin Mota

quarta-feira, 29 de julho de 2026

Casa de farinha mantém tradição de quase 50 anos e reúne gerações em mutirão no povoado de Toco Preto

Mulheres unidas na produção de ferinha no Povoado Toco Preto - Fotos Reprodução Milena Mota
Enquanto muitas casas de farinha desapareceram ao longo dos anos, uma propriedade localizada no povoado de Toco Preto, zona rural de Barrocas, segue preservando uma tradição que atravessa gerações. Fundada há cerca de 50 anos pela família Gaspar, a casa de farinha continua em atividade graças aos filhos e demais familiares, que mantêm o cultivo da mandioca e a produção artesanal da farinha, preservando costumes que fazem parte da história do município.

A produção desta semana tem como proprietária da mandioca a agricultora dona Anísia, de 87 anos, atual responsável pela casa de farinha. Devido à idade, ela mantém viva uma prática tradicional conhecida como “farinha de meia”. Nesse sistema, moradores da comunidade ajudam em todas as etapas do processo e, ao final, a produção é dividida entre a proprietária e quem participou do trabalho.

Último processo, o trabalho de mexer a farinha no forno. Reza o boato que o forneiro não pode sair no vento
O mutirão começou no último domingo (26), quando os homens da comunidade arrancaram a mandioca da roça e a transportaram para a casa de farinha. Na segunda-feira, o material permaneceu no local para descanso e, já na terça-feira, teve início a fabricação da farinha. Cerca de dez mulheres participaram da raspagem manual da mandioca, utilizando facas, exatamente como era feito décadas atrás. O trabalho continua com a prensagem da massa em equipamentos tradicionais, a produção da goma utilizada no preparo dos beijus e, por fim, a torração da farinha em forno a lenha, onde ela é mexida manualmente durante todo o processo.

Além da farinha, os tradicionais beijus também são preparados pelas mulheres que participam do mutirão. O almoço é servido na própria casa de farinha, transformando o dia de trabalho em um momento de convivência entre familiares, vizinhos e amigos. Segundo a colaboradora Milena dos Santos Mota, responsável pelo levantamento das informações e registros fotográficos, “a resenha é garantida do início ao fim”, mantendo viva uma tradição que vai além da produção de alimentos.

Registros de Milena Mota mostram o processo de produção em uma casa de farinha tradicional no município de Barrocas
Nesta etapa, a expectativa é produzir cerca de dez sacos de farinha da produção de dona Anísia, que serão divididos entre ela e as pessoas que colaboraram na produção. Logo após a colheita, a terra já começa a ser preparada para um novo ciclo. Na sexta-feira (31), está previsto o replantio da maniva, o caule da mandioca que dará origem às próximas lavouras, garantindo que uma tradição de quase meio século continue viva no povoado de Toco Preto.

@ Nossa Voz -  Por Rubenilson Nogueira
Colaborou Milena dos Santos Mota

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Barrocas: Moradores da Barreira voltam a cobrar conclusão de obra da Casa de Farinha parada desde a gestão passada

Comunidade reclama de abandono da estrutura e cobra providências da atual administração - Foto Rubenilson Nogueira
Moradores do povoado de Barreira, em Barrocas, voltaram a cobrar a conclusão da Casa de Farinha da comunidade, obra iniciada na gestão passada e que segue sem finalização. A cobrança foi reforçada na programação da Rádio A Nossa Voz na quarta-feira (29), após o morador Danilo, conhecido como Danilo da Barreira, enviar um vídeo ao radialista Rubenilson Nogueira mostrando a situação do local.

Nas imagens, a estrutura aparece tomada pelo mato, sem cobertura, portas ou piso, evidenciando o abandono. Ao comentar o cenário, o morador fez um apelo direto à gestão municipal: “A casa de farinha tá aí abandonada… isso é muita falta de vergonha”.

Casa de Farinha de Barreira - Fotos de dezembro de 2025
A construção foi iniciada ainda na administração do ex-prefeito José Jailson, mas não foi concluída antes do fim do mandato. Desde o início, moradores já questionavam o tamanho do espaço, considerado pequeno para atender a demanda da comunidade, que depende do cultivo da mandioca e da produção de farinha.

Passados um ano e quatro meses da atual gestão (prefeito José Almir), nenhuma intervenção foi realizada no local, segundo os moradores. "A gente precisa dessa casa de farinha, tá chegando a época da mandioca (...) que o pessoal tome providências", cobrou Adão da Barreira.

O tema também chegou à Câmara Municipal, onde gerou debate entre vereadores de oposição, que cobram ações do governo, e aliados da base, que destacam que a obra foi deixada inacabada pela gestão anterior.

@ Nossa Voz - Da Redação

terça-feira, 28 de outubro de 2025

Moradores cobram posição da atual gestão sobre obra inacabada da Casa de Farinha em Barreira

Casa de Farinha do Povoado de Barreira, obra deixada inacabada na gestão do ex-prefeito Jai de Barrocas
Moradores do povoado de Barreira, zona rural de Barrocas, voltaram a cobrar da atual gestão municipal uma solução para a obra da Casa de Farinha, iniciada em 18 de julho de 2024, ainda na gestão do ex-prefeito José Jailson, e paralisada antes das eleições. O espaço chegou ao ponto de cobertura, já rebocado, sem telhado, portas nem acabamentos, e segue abandonado dez meses após o início do governo do prefeito José Almir (Almir de Maciel).

A cobrança foi feita nesta terça-feira (28) durante o programa apresentado por Rubens Nogueira na Rádio A Nossa Voz. Os moradores Peixe, Adão e Danilo, todos da comunidade, relataram a insatisfação com o estado da obra e pediram providências ao prefeito e ao secretário de Obras, Sinésio Lima.

“Vamos ter um monte de mandioca para arrancar, e até agora ninguém dá uma proposta para a gente”, disse Peixe da Barreira, pedindo que o gestor e o secretário deem uma satisfação à população. “Espero que o grande prefeito Almir e Sinésio deem uma posição para os moradores da Barreira”, concluiu.

Fotos enviados pelo morador, conhecido como Peixe da Barreira
Adão descreveu o estado atual da obra, afirmando que o local está tomado pelo mato e abandonado. “Passei lá de manhã, muito mato, tudo parado”, disse. Ele ressaltou ainda o esforço dos agricultores da comunidade para manter o cultivo da mandioca. “Teve gente que saiu daqui para buscar maniva no Tapuio, porque aqui não tinha por causa da seca. Todo mundo está plantando, mas ninguém sabe o que vai ser feito com a Casa de Farinha”, afirmou.

Encerrando as manifestações, Danilo da Barreira reforçou o pedido de atenção e criticou o silêncio do poder público. “Tem muito plantador de manaíba aqui que tem medo de falar, mas se o povo não cobrar, eles esquecem”, disse o morador, apoiando a mobilização por respostas.

A Casa de Farinha da Barreira é aguardada com expectativa pelos agricultores locais, que veem nela a oportunidade de produzir a mandioca sem precisar recorrer a outras comunidades, como Brasileiro ou Sucavão, o que encarece os custos. A obra, deixada inacabada pela gestão anterior, continua sem previsão de conclusão aguardando uma posição oficial do atual prefeito.

@ Nossa Voz - Da Redação Por Rubenilson Nogueira

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Barrocas: Morador cobra atual prefeito e secretário por retomada da obra da Casa de Farinha no Povoado da Barreira

“Essa Casa de Farinha morreu mesmo?”, questiona morador sobre obra abandonada  - Foto Danilo da Barreira
Morador do Povoado da Barreira cobrou da atual gestão a retomada da obra da Casa de Farinha, iniciada na administração anterior e abandonada antes da conclusão. A construção, desde o início, foi alvo de polêmicas, a começar pela escolha do terreno até o tamanho do espaço, considerado pequeno para a demanda da comunidade. A obra seguiu em ritmo lento, sofreu paralisações e, após a eleição municipal, foi totalmente interrompida.

Em participação no programa de Rubenilson Nogueira desta segunda-feira (24), o comerciante Danilo da Barreira questionou o prefeito Almir de Maciel e o secretário de Obras, Sinésio Lima, que foi eleito vereador com forte votação no povoado e atualmente está licenciado para atuar na secretaria. 

“Ô Rubenilson, cadê nossos homens, rapaz, aqui na nossa Casa de Farinha? Eu vou começar a falar de novo, que essa Casa de Farinha morreu mesmo. Lá tem mato lá, que dá pra comer uns seis meses, os bichos comem uns seis meses lá dentro”, criticou Danilo.

Outro morador, conhecido como Peixe da Barreira, que trabalhou na construção, afirmou que a obra começou no dia 18 de julho e foi paralisada antes da eleição. “Aí está lá, o mato tomou conta. Só tem cobra dentro agora”, lamentou. Diante da situação, os moradores esperam que a atual gestão tome providências para concluir a obra e garantir o funcionamento da Casa de Farinha.

@ Nossa Voz - Da Redação

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Em Barrocas tradição da casa de farinha é passada de geração em geração. Conheça esse processo histórico!

Familiares e amigos se reúnem em volta da pilha da raiz de mandioca - Foto: Victor Santos
Com a correria do cotidiano, os avanços tecnológicos e as mudanças nos hábitos das famílias, algumas tradições seculares tendem a se perder no tempo. Preservar hábitos comuns do passado, é também uma forma de resgate cultural, mantendo vivo hoje costumes como o trabalho coletivo. Um exemplo, são as casas de farinha, que produzem alimento para dezenas de famílias nordestinas. 

Em Barrocas, município localizado no Território da Sisal da Bahia, apesar da escassez da matéria prima, mesmo com a redução no cultivo da mandioca, algumas comunidades seguem preservando o modo tradicional do processo de produção do alimento típico da região, a farinha. As antigas casas de farinha, são lugares onde praticamente todo processo é feito manualmente, por mãos e braços de moradores da comunidade, que transmitem a tradição de geração em geração num exemplo de união. 

Casa de Farinha criada pelo casal Zezito e Luzia (in memoriam)
No bairro do Cedro, encontra-se uma das casas de farinha mais antigas do município de Barrocas. Ela fica na conhecida Rua do Belisco, limite entre a Boa União e o bairro mencionado. Datada de mais de 80 anos, o local é preservado pelos filhos do casal Zezito e Luzia (in memoriam). Neste mês de agosto é o período de colheita da mandioca, hora então de reabrir as casas de farinha, de onde é produzida a farinha, além da goma para o beiju seco e beiju molhado. 

Dona Maria de Virgulino tem experiência no serviço da raspa da raiz
A conhecida Maria de Virgulino, é filha do casal fundador da casa de farinha, onde ela aprendeu com os pais todo processo que relembra fazer desde a infância ao lado dos irmãos e vizinhos. Com 71 anos, trata com prioridade a raspa da mandioca, trabalho que executa com precisão. Maria conta que busca preservar os ensinamentos e todo trabalho é praticamente idêntico ao feito pelos seus pais: "Minha vida foi aqui, antes era a casa dos nossos pais, depois se mudaram e aqui ficou como casa de farinha. Antes Guerre (irmão) dormia em cima do forno, era a cama dele", lembrou. 

Mulheres e crianças sentam ao redor do amontoado de mandioca para fazer a raspagem da raiz, uma atividade antiga que segue reunindo os moradores da comunidade, momento também de descontração, conversas e risos, assim, o tempo passa mais rápido durante o trabalho que é feito em duplas, uma faz a 'meia' e a outra concluí a raspa. A 'meia' apelido dado ao ato de raspar a mandioca até a metade para a vizinha sentada ao lado, raspar a outra parte. 

O senhor Guerre e o amigo Piano trabalhando no processo do moagem da raiz de mandioca

Também filho do casal, o lavrador José Oliveira Silva, 73 anos, é responsável pelo cuidado e preservação do espaço e equipamentos antigos. O senhor Guerre, como é conhecido, praticamente nasceu dentro da casa de farinha. Na infância a cama era onde hoje está o forno da casa de farinha. Antes de todo equipamento ser instalado, o local funcionava como a casa da família, o tempo passou e se mudaram para outra residência, ficando exclusivo para o processo que antigamente durava vários meses.

O banco de roda, instrumento instalado com um triturador para extrair a massa da mandioca é movimentado por Guerre. Esse é um trabalho braçal e repetitivo para mover a alavanca que empurra as raízes até as lâminas. O equipamento, segundo Guerre, tem mais de 70 anos na casa de farinha da família. O banco de roda hoje é movido a energia elétrica, mas nem sempre foi assim: "na época rodávamos com as próprias mãos uma manivela de madeira bem pesada, não tinha isso de motor, era no braço", relembrou Guerre. 

Etapas do processo de produção da farinha de mandioca
Analice Ferreira, neta dos fundadores, descreveu que essa era uma atividade comum no passado entre as famílias: "meu tio Guerre lembra que antigamente toda família plantava mandioca, eram três, quatro meses na casa de farinha, e nesse modelo aqui, uma família ajudando a outra e cada uma tirava sua parte", relatou ao lembrar que a produção acabava sendo compartilhada entre as famílias que trabalhavam no processo.

Apesar da matéria-prima vir da agricultura familiar, é possível observar uma queda considerável no número de plantações, consequente se reduz a procura pelas casas de farinha, que cada vez mais mecanizam o processo com a falta de famílias para produzir.

Antiga prensa de farinha - Fotos: Victor Santos
A massa extraída da raiz da mandioca precisa estar seca para então ser peneirada, e para isso a antiga prensa manual da casa de farinha faz o trabalho de comprimir o material que veio moída do banco de roda, extraindo o líquido.. Antes de abaixar a prensa, o material é colocado com as mãos dentro de caixas de madeira revestidas com saco de linhagem, este método envolve toda massa para que o máximo do líquido da mandioca saia e ela possa ir pra peneiragem.

Com o processo de raspagem manual, extração da massa da mandioca no banco de roda, a prensa que tira todo líquido da mandioca, a etapa nas fotos é a peneiragem para produzir a goma do beiju, resultado de um trabalho coletivo de homens e mulheres que do mutirão se reuniram no domingo (16) para finalizar a farinhada.

No coucho de madeira são colocadas as raízes já raspadas para em seguida serem trituradas

Da Redação - Por Victor Santos
Colaborou: Rubenilson Nogueira