E foi justamente nesses dias que antecedem o aniversário que registrei uma cena que me fez voltar no tempo. O trem passou. E não foi qualquer trem. Era vermelho, como aqueles de antigamente, das cores que marcaram uma época em que Barrocas ainda dava seus primeiros passos como cidade emancipada. A imagem ficou. E a pergunta também: seria uma homenagem da ferrovia? Ou apenas coincidência? Prefiro deixar no ar. Mas que pareceu um aceno do passado, pareceu.
Os livros dizem que Barrocas é filha da estrada de ferro. E não é exagero. Antes de ser cidade, aqui era uma fazenda. Foi a linha férrea que trouxe movimento, gente, comércio, vida. Vieram os operários, vieram as primeiras vendas, surgiu a estação, e dali nasceu um povoado que cresceu, se organizou e virou município. Hoje, algumas ruas têm asfalto, o movimento é outro, mas basta olhar para a estação ferroviária para lembrar de onde tudo começou.
E quando o olhar se estende mais um pouco, para além do centro, a essência continua lá. A fazenda Itapororoca segue verde, viva, lembrando que Barrocas ainda é campo, ainda é raiz. No chão, o sisal, o nosso ouro verde. Debaixo dele, o ouro que movimenta a economia. Barrocas é isso: riqueza que se vê e riqueza que se esconde, mas que nunca deixa de existir.
Talvez Barrocas esteja ficando mais velha a cada ano. Mas o sentimento do seu povo segue no caminho inverso. Cresce, se renova, se fortalece. E se tem algo que não muda por aqui, pode passar trem novo, trem antigo, pode passar o tempo que for… é o amor de quem olha para essa terra e tem a certeza: Barrocas não é só um lugar. É parte da gente.
@ Nossa Voz - Por Rubenilson Nogueira
"com lágrimas nos olhos"
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