sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Barroquense que vive na Suíça fala sobre a saudade da família que está no Brasil.

Foto: Reprodução Facebook
Na quinta-feira (25), Leandro Oliveira Silva, filho do senhor Nealino Araujo e da senhora Maria Elizabete, completou um ano vivendo na Suíça, Léo Silva como é conhecido, utilizou sua página no Facebook, para falar da data especial, destacando a saudade que sente da família, e como é viver tão distante, num pais bastante diferente do Brasil.

["Hoje completo um ano morando na Suíça, e a parte mais dolorosa é sem duvidas está distante da família. No nosso país, a instituição família é muito forte e com isso é natural que a partida para longe dos pais, irmãos, tios, primos, sobrinhos, afilhados, agregados, seja dolorosa. Mesmo que represente a possibilidade de buscar uma vida melhor longe do Brasil, num país de primeiro mundo onde muitos dos nossos problemas habituais não existem aqui. A parte mais difícil de todas é a convivência com a saudade que não se desfaz nunca. Saudade da família, saudade das mordomias de casa, saudade do abraço dos pais, dos amigos, saudade de dormir no seu antigo quarto, saudade de ter roupa lavada, comida no prato feita por minha amada mãe, saudade das nossas conversas nas horas das refeições, saudade do clima, saudade do calor das pessoas. Mas, principalmente, saudade da segurança, do amor, do acolhimento, da morada que completa a alma. Quem vive longe da família aprende o seu valor, aprende sobre como a vida não é fácil, aprende que o mundo está cheio de gente que não se importa com o outro, aprende que ainda há gente que se importa, aprende que é lutando que alcançaremos nossos objetivos. Quem vive longe daqueles que ama aprende a dor da saudade, a tensão do psicológico, o poder do medo, a força da coragem. Aprende que na vida tudo se paga com dor e amor, e a gente escolhe o que plantar para depois colher"] escreveu. 

Perguntamos ao Léo, do que ele não sente saudades daqui do Brasil, e ele respondeu:

"Há muitas coisas que não sinto falta no Brasil. Não sinto falta da desigualdade social, da superlotação dos nossos hospitais públicos, da violência, dos engarrafamentos, dos transportes públicos, da educação publica tão precária, da forma como os professores são tratados, da dificuldade em viajar devido ao alto custo. Viver aqui na Suíça é bem mais fácil, pois os bens comuns como saúde, educação, transporte e segurança são de ótima qualidade. Engraçado que é um pais não tão religioso como o Brasil, porém as pessoas são bastante humanas, não há tanta intolerância religiosa, machismo, racismo e homofobia como há no Brasil. As pessoas aqui são extremamente educadas, falam baixo e respeitam o espaço dos outros, a buzina de um carro é quase uma ofensa, os suíços não gostam de barulho. A honestidade também faz parte do cotidiano, nos ônibus não há cobradores, as vagas para deficientes e idosos são respeitadas, as regras e as leis são respeitadas. Costumo dizer que as ruas aqui estão sempre esterilizadas, não se vê lixo nas ruas". 

Léo comentou ainda sobre os costumes do país: "Aqui não se entra na casa das pessoas com sapatos, o normal é deixa-los fora da casa. Não importa onde você está na Suíça, seja na parte alemã, francesa, italiana ou rumantsch, você se sente como morando dentro de um quadro, uma obra de arte, um conto de fadas, as montanhas, os lagos, os campos verde, os prédios antigos e históricos, e ao mesmo tempo uma modernidade discreta nas cidades. Porém nem tudo aqui são flores, o inverno é bastante rigoroso, isso isola as pessoas dentre de suas casas. Os suíços também não são calorosos e de gestos emotivos como nós brasileiros, ou talvez nós que sejamos expansivos demais. 

Finalizando, o barroquense falou da experiência de morar 'fora' e das dificuldades enfrentadas: "O fato de que aqui se fala quatro línguas também dificulta nossa vida. Enfim, morar no exterior é uma experiência desafiadora e, ao mesmo tempo aterrorizante. A vida que conhece ira mudar, e não estou falando só de endereço. Acredito que morar fora é uma experiência que completa a pessoa, a molda e transforma num cidadão do mundo".

O texto originalmente publicado no Facebook, ganhou muitas curtidas e vários comentários, e chamou a nossa atenção pela forma que o barroquense se expressa ao falar da família, o texto nos leva a uma boa reflexão. 

@ Nossa Voz / Da Redação

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