quarta-feira, 23 de junho de 2021

Tendo São João como padroeiro, pelo segundo ano consecutivo, Barrocas não terá festividades juninas

Fotos: Ana Clara / Arte Rubenilson Nogueira
São João Batista é o padroeiro do pequeno município de Barrocas, localizado no Território do Sisal, interior da Bahia. As festividades juninas é para muitos dos habitantes, o melhor período do ano. É quando acontecem os rapas nos povoados, quadrilhas, eventos particulares e celebrações religiosas, como o Novenário organizado pela paróquia São João Batista, que encerra no dia do Padroeiro. Nessa época do ano, muitos barroquenses que trabalham fora, retornam para participar das festividades.

No ano passado, devido a pandemia do novo coronavírus, pela primeira vez na historia as festividades foram suspensas, a Prefeitura Municipal que já havia anunciado grandes artistas para os shows da praça, foi obrigada a cancelar os contratos. Neste ano, apenas as celebrações na igreja matriz estão sendo realizada porém com restrições e limitações, sem o forró da quermesse. Para interagir com os fãs, Músicos realizam live show sem público, vendedores de licor continuam com a produção da bebida de época, mas são afetados em nas vendas. As famílias que tradicionalmente acendem suas fogueiras, reduzem a quantidade de pessoas ou até não realizam. 

Dona Zezinha
Devota do padroeiro, Maria José da Silva, 79 anos, conhecida popularmente como "Zezinha", conta que improvisou no ano passado e fez uma fogueira em cima de um carrinho de mão: 
"Nasci vendo meu pai acender a fogueira,  toda a minha vida acendemos!! Todos vinham para a fogueira, mesmo quando morava na fazenda, enchia de gente. Tenho saudade dos meus anos 60 e 70, quando a gente vinha da roça arrumada para a festa do São João. Ano passado fizemos a fogueira num carrinho de mão apenas com meus netos soltando fogos. Esse ano pretendo fazer uma fogueirinha sem deixar a  tradição mas seguindo os protocolos", afirmou a aposentada.

Patrício Oliveira
Desde os seus 17 anos, Patrício de Oliveira, hoje com 43 anos, está presente no mundo da música, ele é integrante e cantor da Banda Zêpa, e não esconde a saudade que sente das festas com o público caracterizado e no clima do São João: 
"Pra gente impactou bastante, porque a musica em si ela traz um contexto de felicidade, de alegria e a gente já vindo nessa questão dessa pandemia com tanta mortes, a gente ficou quase sem chão pra pisar, porque a música você fazendo sozinho é uma coisa, e você com contato com público é justamente uma coisa... ver o povo dançando, ver povo de vestido de forma caracterizado, o clima de São João", destacou o músico.

Lídia Trabuco
Lídia Trabuco, 57 anos, ajudava seu pai, o saudoso 
Zoroaste a produzir os licores para vender. Mantendo a tradição familiar, ela produz sozinha a cerca de 40 anos. Apesar da pandemia, Dona Lídia revela que em 2020 a venda da bebida foi a mesma dos anos anteriores, mas em 2021 foi surpreendida com a queda da procura pelo tradicional licor de São João: “Ano passado não diminuiu minha produção, foi a mesma coisa normal como sempre vende, agora esse ano foi que diminuiu, esse ano caiu bastante a produção, mas graças a Deus estou vendendo. Em 2020 não tive queda nenhuma. As pessoas estão ou evitando, ou sem dinheiro, mas a produção esse ano caiu muito. Não estou vendendo como ano passado", contou.

Ainda não será o São João como os barroquenses, os nordestinos gostariam, é preciso esperar mais um ano, confiando na vacinação da população, no controle da pandemia, para então a principal festa do nordeste poder acontecer como manda as tradições e como o povo gosta de celebrar. Um feliz São João a todos e a todas!

Da Redação por Ana Clara Santos e Rubenilson Nogueira

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