sexta-feira, 4 de abril de 2014

BARROCAS: PARA ALÉM DOS 14 ANOS DE HISTÓRIA - Parte II

Os jovens universitários Antônio Zacarias e Itan Cruz em Matéria Publicada na edição: 86 Ano 8 - Fevereiro e Março de 2014 do Jornal Impresso aprofundaram a história da cidade com exclusividade para o Jornal @ Nossa Voz, mostrando fatos, situações e conteúdos da nossa história local. Teremos quatro partes da matéria e publicaremos uma por dia.

Foto: artefatos líticos, pedras lascadas produzidas por indígenas que habitavam a atual região do município de Barrocas, mais precisamente no povoado de Caldeirão Grande.

É importante notar que ao passar dos anos, a população indígena, antes tão predominante nesta região a ponto de dar-lhe nome, passa a diminuir em números. É fundamental se ter em mente que a ocupação nestas imediações se deu por via de dominação, muitas vezes por via da violência. Atualmente aqui, em Barrocas, já não se vêem significativa expressão indígena no que se diz respeito à aparência da população, talvez isto tenha sua explicação para o fato da assimilação entre indígenas e negros ou brancos, como também pode afirmar um extermínio dos povos indígenas que por aqui habitaram. 


Segundo a historiadora Ana Paula C. T. Lacerda, em sua dissertação de mestrado chamada Caminhos da Liberdade: A Escravidão em Serrinha Bahia (1868-1888), publicada em 2008 pela Universidade Federal da Bahia, aponta para a o fato de a escravidão ter tido seu espaço nestas terras. Homens e mulheres escravizados e vistos pelos seus senhores como apenas objetos de posse. Segundo Ana Lacerda, na então freguesia de Serrinha no ano de 1872, 19,8% de toda a população se constituía em escravizados, um número real de 739 escravos, sendo 385 homens e 354 mulheres (p.6). Talvez se possa arriscar em dizer que o povoado da Barreira em Barrocas, tenha se formado, enquanto quilombo, por meio desta população.

Barrocas, por sua vez, advém de vários fatores, não somente por meio de uma fazenda como muitas vezes é comentada. Há de se fazer necessário levar em conta a intenso movimento comercial entre sertão e litoral, em especial, com a capital da Província da Bahia. A estrada de Ferro (imagem 3), construída a partir da segunda metade do século XIX, é um bom exemplo disso. Ligando Salvador ao São Francisco, passando por Barrocas, possibilitou o trânsito de mercadorias e pessoas. Escravos e trabalhadores comuns que trabalharam para a Bahia and São Francisco Railway Company, uma empresa de trilhos de ferro inglesa. As feiras também são consideráveis fatores para a fixação de pessoas, formando povoações, vilas e, posteriormente, cidades. Considera-se, então, que o começo de uma ocupação efetiva desta terra tenha se dado por volta do ano de 1882, considerando, tradicionalmente, a Fazenda Espera ou Barroca como um marco local. 

Confira a primeira parte: 


Por Itan Cruz e Antonio Zacarias

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