segunda-feira, 7 de abril de 2014

BARROCAS: PARA ALÉM DOS 14 ANOS DE HISTÓRIA - Parte III

Os jovens universitários Antônio Zacarias e Itan Cruz em Matéria Publicada na edição: 86 Ano 8 - Fevereiro e Março de 2014 do Jornal Impresso aprofundaram a história da cidade com exclusividade para o Jornal @ Nossa Voz, mostrando fatos, situações e conteúdos da nossa história local. Teremos quatro partes da matéria e publicaremos uma por dia.
Fonte: I Centenário das ferrovias brasileiras (diversos autores). Rio de Janeiro: Serviço Gráfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 1954, p.1. Biblioteca do IFCH-UNICAMP. In: SOUZA, Robério Santos. Experiências de trabalhadores nos caminhos de ferro da Bahia: trabalho, solidariedade e conflitos (1892-1909). Dissertação (Mestrado em História): UNICAMP, 2007.

Deve-se alertar também o movimento disperso por outras povoações ao redor do que veio a ser o centro de Barrocas, como as fazendas e outros núcleos populacionais menores. A feira barroquense atraía negociantes, pequenos agricultores e criadores de animais, além das mulheres que desempenhavam forte papel na arte da cerâmica (talvez um resquício das culturas indígenas onde cabia à mulher trabalhar a argila). 

Baseando-se principalmente Na obra de NETO, J. G. P. e BATISTA, T. A. intitulada Barrocas Uma Filha da estrada de Ferro, além de informações baseadas em dados oferecidos pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da BA. Daí, pelos registros disponíveis, é datado ao ano de 1925 como marco inicial e mais significativo da atividade econômica de Barrocas, com o estabelecimento da primeira casa comercial na vila. Outras casas comerciais surgiram nos anos seguintes. A agricultura e pecuária local como também a regional abastecia as casas comerciais. Mercadorias que não eram produzidas em Barrocas vinham de outras regiões circunvizinhas e longínquas, pelo trem ou carros de boi, animais, entre outros meios de transportes.

A década de quarenta também é importante, pelo inicio da Feira livre, tímida em baixo de uma árvore, mas que crescera paralelamente à sua localidade. Nesse mesmo período a comunidade ganhara uma estação ferroviária maior, visto atender a demanda de serviços, embarques e desembarques de pessoas e mercadorias. A vila crescera consideravelmente nas décadas seguintes, e a composição da renda de sua população cada vez mais diversificada, entre as fontes de emprego destacavam-se o campo o comércio, os serviços a própria estrada de ferro, o setor público e cultivo do sisal, que foi considerado o ouro verde da época. Ressalva-se aqui, que além dos básicos da alimentação, cultivava-se mamona, algodão, fumo entre outros produtos agrícolas.

Emergiu entre Barrocas e Serrinha, no começo da década de 1980, uma problemática que já vinha se arrastando por um certo tempo: a possibilidade de emancipação do então distrito. Segundo a professora de História Ana Paula Oliveira Queiroz em seu trabalho de conclusão de curso, intitulado: Barrocas, emancipação política um jogo de poder, apresentado à Universidade do Estado da Bahia, no Campus XIV, em Conceição do Coité no ano de 2010, no ano de 1984, por exemplo, o prefeito do município de Serrinha, de acordo com documentos da época, “só tomou conhecimento que havia uma empresa de mineração no território barroquense devido às discussões na Câmara, onde os vereadores relatavam o surgimento de uma nova fonte de renda, jazidas de ouro, no território barroquense desde 1979” (p.12), considerando que a então Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) se estabeleceu efetivamente em 1984, o que de certa forma impactou positivamente à dinâmica local até os dias atuais.

Em meio a tantos descasos por parte da cidade de Serrinha em relação ao distrito de Barrocas pôde-se notar denúncias feitas pessoas da própria população, como Ana Paula O. Queiroz mostra em seu trabalho: sem “água tratada, se servem de tanque ou poços artificiais de propriedade de fazendeiros e pequenos proprietários (...) enquanto Serrinha distante desta Vila 18 Km, d/ desfruta do precioso líquido”, diz uma carta anônima de 1983 (p.12). Por meio do plebiscito realizado no dia 25 de novembro de 1984, Barrocas emancipa-se, em meio às disputas políticas efervescentes entre as elites políticas com relação aos interesses, especialmente no que se refere à demarcação territorial barroquense.

A lei nº 4.444 de 09 de maio de 1985 cria o município de Barrocas, tendo como prefeito João Olegário de Queiroz (imagem 4) e vice-prefeito, Josemir Araújo Lopes, ambos ligados ao Partido da Frente Liberal, juntamente com mais nove vereadores. Devido à intrigas políticas, principalmente. Foi, como afirma Ana Paula Queiroz em sua obra, realmente um “jogo de poder”. Barrocas passou a pertencer novamente à Serrinha no ano de 1988, depois de o Supremo Tribunal Federal alegar inconstitucionalidade quanto à sua emancipação.

Por Itan Cruz e Antonio Zacarias

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