quarta-feira, 2 de abril de 2014

Sobre a condição da juventude

O que é juventude?


É uma fase. Na juventude é que nos concretizamos como seres humanos, é a fase de desenvolvimento social, desenvolvimento mental, físico, de aprendizado e formação, amadurecimento, crescimento, e de conscientização sobre o mundo e a realidade. Época de formar sua própria visão pessoal das coisas. Por ser uma fase de preparação e inicio da vida em sociedade é de enorme importância que a sociedade invista nessa parte população que segundo o IBGE no senso de 2010 ultrapassou os 45% da população total do Brasil.

Quem é jovem?
Hoje no Brasil é considerado jovem quem tem de 15 a 29 anos.

O que caracteriza a juventude?
“A juventude não foi feita para o prazer, mas para o desafio” (Paul Claudel, filósofo francês). Brilhante frase que demonstra o sentido e é até sugestiva sobre a situação em que os jovens se submetem: se a juventude foi feita para o desafio, ela será desafiada, e é, mas quanto ao prazer muitos jovens se estranham, trocam o conhecimento pelo entretenimento, se deixam levar mais pelo conveniente momentâneo do que pelo que é concreto, não generalizando é claro.
A juventude se caracteriza pelo meio social em que se encontra e pelas suas relações sociais. A animação, energia, e “loucura” são próprias da juventude. O jovem não só gosta como também necessita ser e se sentir incluído na sociedade, em grupos sociais, movimentos. Quando se fala em juventude deve se compreender que estamos falando de uma grande massa feita por milhões de grupos e movimentos que são constituídos por milhões de pessoas todas diferentes. É mais correto falar “as juventudes”, uma massa que é feita de uma diversidade enorme em todos os sentidos (diversidade cultural, religiosa, de etnias, etc.).
O jovem é importante?
Totalmente. A mudança surge da energia e vigor que são próprios da juventude, é a juventude quem sempre está à frente das conquistas e das manifestações sociais que como pudemos ver, foi aos milhões às ruas buscar tais mudanças. A História mostra isso.
O jovem tem que, sobretudo ser orientado a se orientar sozinho, afinal desorientação pode facilmente gerar manipulação. Trazem dentro de si, adormecido ou vibrante, o desejo de paz, de justiça, liberdade. Há um anseio por dias melhores que os levou a enfrentar a ditadura militar. Hoje, podem usufruir de liberdade e de circunstancias favoráveis para o próprio desenvolvimento como a internet, que pode ver nas redes sociais como o facebook a vantagem de receber informações compartilhadas que por várias vezes a mídia esconde. Mas sou levado a me perguntar: o que esperar de uma juventude que não sabe que apenas 1% da população mundial controla 50% da economia do planeta*, que no Brasil existem mais de 800mil crianças fora da escola (precisamente 821 120 crianças**), que o Brasil tem um dos piores índices de educação e alfabetização (14 milhões de analfabetos ainda***) do mundo ficando atrás de nossos países vizinhos que tem um potencial de desenvolvimento muito menor que o nosso, que o Brasil tem um dos piores índices de detecção de corrupção do mundo, que a pobreza extrema em nosso país ainda não teve fim, que os índicesde estupro, homicídio, sequestro, tráfico humano, roubo, e pedofilia não param de crescer? Que a saúde pública do nosso país está sucateada? Que não vai além do que é ensinado nas escolas e do que é oferecido pelas mídias? Que não aproveita o fato de viver na era da informação e não usa dos meios informacionais para de desenvolver? Para onde vai essa juventude? Vai mudar o mundo ou deixar que a sociedade (longe de ser a sociedade agradável e ideal) lhe molde? Espero que o lento desenvolvimento leve a juventude ao progresso e a buscar o próprio desenvolvimento, pessoal e coletivo.
Mas também ficam as perguntas: o que estamos fazendo com nossa juventude? Estamos dando espaço para a juventude protagonizar a mudança? Há um esforço coletivo para tornar a educação uma educação de qualidade (e laica) que favoreça a juventude que não é somente o futuro mas também o presente da nossa sociedade? Há um esforço na criação de políticas públicas de inclusão da juventude? Ou a juventude é vítima da exclusão social? E aos jovens que hoje tem um potencial que nenhuma outra geração teve parecido resta à necessidade de ter ousadia de saber, de conhecer, de refletir, ousadia de questionar.

* divulgado no Fórum Mundial de Economia, 2014
** dados do IBGE, 2010
***dados da ONU, 2013

Matéria Publicada na edição: 86 Ano 8 - Fevereiro e Março de 2014 do Jornal Impresso.

Por Silas Silva 
Aluno do 3º ano do ensino médio no CEPPC vespertino
Membro da equipe de coordenação da Pastoral da Juventude de Barrocas
Neotéfilo (amante das juventudes)

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