segunda-feira, 11 de julho de 2016

A ESTRADA, A CARONA E O CONSELHO - POR ITAN CRUZ

Itan Cruz -  Foto Reprodução Facebook
Barrocas 11 de julho de 2016, Rubenilson Nogueira: Em homenagem ao seu pai Gilberto Silva Ramos, que comemorou aniversário no dia 9 de julho, o barroquense Itan Cruz, mais uma vez nos encanta com seu estilo único de contar histórias, de relatar fatos, escrevendo talvez sem essa pretensão, Itan nos faz viajar, criando no imaginário o cenário e  nele os acontecimentos relatados em seus textos. Ele atrai e emociona e quando ao final, sempre fico querendo ler o próximo. Quando escrever seus livros, e eu espero que seja logo, mesmo que tenha muitas páginas, Itan vai nos conduzir até a última, atentos a narrativa, sempre interessados, sempre viajando. 

A ESTRADA, A CARONA E O CONSELHO

Todo aniversário do meu velho, me recordo de alguma história. Hoje não está sendo diferente. Certo dia, quando o sol ainda estava quente, meu pai parou o carro na beira da estrada para que um senhor pudesse entrar. Eu era criança e lembro de ter ficado muito chateado com aquela situação. Eu queria chegar logo em casa, além do mais, o senhor ao qual meu pai estava dando carona carregava uma sacola com carne e já não cheirava bem. 

Minhas bochechas se inflaram de ar – aquele típico “bico” que as crianças fazem por reprovação. Já se passava das duas da tarde. Meu pai e o senhor pareciam velhos amigos. Conversam e riam de assuntos que já não me lembro. Fiz questão de só olhar para a estrada; foi a forma que encontrei para não ter de participar da conversa. Alguns minutos depois o carro parou, o senhor desceu e ainda sorria. Nos recomendou a Deus e andou em direção a uma casinha com o pacote de carne que levava.

Depois que retomamos o caminho, meu pai me olhou e começou a explicar que provavelmente aquele senhor teria ido para a feira mais cedo e teria esperado um horário mais avançado, onde os alimentos ficam mais baratos devido ao horário e às condições. Me falou que já havia andado muito pelas estradas esperando uma carona que, na maioria das vezes não acontecia. Por fim, me disse que a maior satisfação dele foi ter feito algo por alguém e esse alguém ter-lhe recomendado tanta proteção o quanto pudesse recomendar. 
Feliz aniversário, meu pai. Eu te amo muito!


Por Itan Cruz - Formado pelo Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades, graduando em História (Bacharelado e Licenciatura) pela UFBA - Mestrando em História na Univercidade Federal Fluminense

@ Nossa Voz - Introdução Rubenilson Nogueira

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