quinta-feira, 21 de outubro de 2021

Com aumento da pobreza, famílias buscam peles, carcaças e até restos de ossos em açougues de Feira de Santana

Fotos: Ed Santos/ Acorda Cidade
Com os preços dos alimentos subindo constantemente, famílias carentes estão tendo dificuldades para adquirir o básico para a sobrevivência, é o caso da manicure Ana Claudia Silva Santos, de 40 anos, viveu o último ano em um mar de incertezas. Moradora da cidade de Feira de Santana, prestes a dar à luz o seu segundo filho, desempregada, ela recebia o valor de R$171 proveniente do Bolsa Família, que depois foi substituído pelo auxílio emergencial de R$375, o qual está próximo de acabar.

Ao Acorda Cidade, Ana Claudia contou que com o valor do auxílio emergencial, tenta se virar como pode. Paga R$200 pelo aluguel da casa onde reside há cerca de dois meses, no bairro Jardim Cruzeiro, além dos recibos de água e luz, que juntos custam em torno de R$100. O que sobra mal dá para comprar alimentos e para adquirir um botijão de gás, tendo algumas vezes que recorrer ao álcool para cozinhar.

Fotos: Ed Santos/ Acorda Cidade
“Já tenho mais de um ano desempregada. Nessa pandemia, me mantive com a ajuda da minha irmã e tive dificuldades para comprar alimentos. O gás, me doaram na semana passada. Antes eu cozinhava com o álcool. Eu pegava uma tábua, uma latinha de cerveja, cortava ao meio e botava um prego. Quando tinha alguma coisa pra comer, eu fritava um ovo, cozinhava um feijão”, relatou.

Ainda segundo ela, algumas vezes foi preciso ir ao Centro de Abastecimento pedir doações de ossos para engrossar o caldo da comida, mas nem sempre encontra, porque até isso alguns comerciantes não querem mais doar: “Eu compro as carcaças no abatedouro, um quilo é quase R$8 e só dá para dois dias. Não compro mais pele, porque não acha mais no açougue. Já fui até no Centro de Abastecimento pedir doação de ossos, pra colocar no feijão pra fortalecer mais e comer. Às vezes eu acho. Antigamente davam. Hoje em dia, vendem por R$2 ou R$3 o quilo”, afirmou.

Fotos: Ed Santos/ Acorda Cidade
Relatos como os de Ana Claudia não representam uma realidade nova no país. No entanto, com a crise econômica impulsionada pela pandemia, histórias como a da manicure passaram a se multiplicar, revelando o retrato da fome e da miséria. Há 14 anos com um box de carnes do Centro de Abastecimento, a comerciante Margareth dos Santos Santana, informou ao Acorda Cidade que nos últimos meses, com a elevação nos preços dos alimentos, sobretudo a carne vermelha e o frango, cresceu a procura por carcaças no seu estabelecimento:

“O preço das carcaças de frango varia entre R$3 e R$10. A de R$3 vem só a carcaça; a de R$4, vem fígado e moela; a de R$8 vem fígado, moela e asa e a R$10 é que vem com a coxa, tirando o peito. A procura por esse tipo de alimento aumentou muito nos últimos dias, principalmente a de R$3. Tudo está aumentando. E mesmo assim as pessoas reclamam, porque antes custava R$1, e com R$10 o cliente levava 10 quilos de carcaça. Hoje com R$10 só leva cerca de três quilos”, contou.

@ Nossa Voz - Com informações do Acorda Cidade

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